terça-feira, 14 de julho de 2009

Casanova Apaixonado

Para você, meu grande amigo
Mauss me contou que a vida é uma grande peça, em que nós - os “atores” - alternamos a interpretação dos mesmos personagens ao longo da história. Eu bem que tento contestá-lo, mas fica difícil quando se tem como amigo o Casanova. Não, ele não anda com perucas empoadas, tampouco faz pinta com lápis no canto da boca. No entanto, não fica mais do que três dias sem que uma mulher se perca em seus braços.
Se a resposta do porquê, de cada personagem ser do jeito que é, está na estória, busco na vida do meu amigo a explicação. Mauss cochicha no meu ouvido: “os meios são modernos - jeans, mp3, fugas pelo elevador de serviço - mas a construção do personagem ou da pessoa é tradicional. A resposta está na sua família, nas suas angústias, nos seus desejos. É, tenho que concordar com Mauss, nossa versão moderna de Casanova, assim como a antiga, tem uma relação conflituosa com seus pais. Ele se dividi entre admiração e repulsa, amor e excitação.
Seus pais se separaram quando Casa tinha 5 anos. Ulisses, seu pai, sempre foi um grande amante, mas relapso como pai e marido. A fidelidade dele é um fogo que arde sem doer, posto que é chama, e se apagou sem que a mãe de Casa visse.
O pequeno Casanova cresceu observando uma mãe que espera o retorno de seu amado, mesmo após 20 anos da partida. Isabel tece e retece sua colcha imaginária, com esperança que Ulisses volte antes da agulhada derradeira. Mas o propósito da vida de Ulisses é o mar aberto das grandes paixões – o ganhar ou perder, tudo, numa mesa de pôquer. Casa é o melhor amigo da sua mãe, sempre foi o preferido dentre os filhos. O convívio com ela fez dele um homem capaz de ler os sinais femininos. Em seu baú de brinquedos se encontravam bolas de futebol e colher de pau. Tornou-se habilidoso no trato de agradar o outro e, principalmente, se o outro é uma mulher. Um artista da diplomacia e desenvolto cozinheiro. Mas ao contrário do que você pode pensar, ele não faz pratos requintados, desses que os meninos fazem para impressionar as moças, nada de ervas finas. Ele prefere fazer massas, e amassá-las com as próprias mãos, com os braços fortes que o tempo lhe deu.
Casanova e seu pai nunca se entenderam. A liberdade imperativa dele é como uma esfinge que Casa nunca ousou tocar . Afinal, todas as idas e vindas amorosas acabaram por respingar nele, traduzidas em ausência, negligência e mágoa.
Se na versão “original”, Casanova era filho de uma mulher subversiva para a época, uma atriz com um homem casado, que ele jamais conheceu. Na versão “moderna”, Casa tem uma mãe idealizadora, quase a parte do mundo, que contraria as paixões em série de seu amado, tece sua colcha: agulhada- após-agulhada, dia-após-dia.
Os mundos opostos de seus pais, fizeram do meu amigo um cético. Para ele "a satisfação amorosa é a morte do desejo", sem vislumbrar a eternidade, ele se lança em noites vorazes. Amor eterno para Casa, só na lembrança de uma noite de paixão.
Outro dia, perguntei como ele conseguia permanecer ileso diante de todas aquelas mulheres. Sem nunca se encantar por alguma. Ele revelou “é como se eu fosse um para cada uma delas, mas eu nunca sou todos que posso ser ”. Porém, se nas estórias sempre acontecem grandes reviravoltas, a vida não poderia ser diferente. A campainha tocou de manhã, abri a porta e um vento invadiu a casa. O vento mudou de curso, Casanova está apaixonado. Sentem-se, pois a peça só está começando...

5 comentários:

Mill disse...

A vida imita a arte? A arte imita a vida? Clichê a pergunta, mas a vida é tão clichê, sem deixar de ser maravilhosa e medonha....

Resta-nos saber qual nosso personagem e quando e como as cortinas se fecharam.....

Seremos aquele personagem admirado ou repudiado?

Vamos vivendo (atuando) e descobrindo

beijos hermana querida

Você me faz pensar

PuLa O mUrO disse...

Clau... fantástico!

Acho que você é minha escritora favorita de blogs - e olha que eu leio três!

beijos!

Júlio Canuto.

Anônimo disse...

Olá melhor amiga!

Em um mundo triste e desumano como o nosso, encontrar alguem como Claudiana é uma dádiva da vida! Para o Casa existir, Clau teve e tem que existir tambem.

um grande abraço,
Casanova

Vanessa disse...

Clauuuuzis,


Adoreeeeeeeeeei! Ficou muito bom!

Você é foooda!

bjs,
Vanessa

carola disse...

puxa clau...vc me deixa sim palavras, mas completamente preenchida de coisas para te dizer. mas como te digo que vc é uma figura lindiiiiisima que quero ter sempre perto para qualquer que seja a empreitada...sair andar para descobrir uma lua? Topo. Se encontrar para falar de amores? Topo. Pegar carona para ler o tarô? Topo.
Você é muito liiiiinda!!!!
Mesmo com uma postagem atrasada, te confesso que eu adoro o final de cinema paradiso....o presente de todos os beijos roubados...
bisous