Andava distraída na tarde de Inverno. Pensava naquele mínimo gesto, lutava para que ele não me escapasse. Inútil, resta a sensação. Até que uma imagem, entre frestas, de um pequeno portão me chamou atenção. Avistei a eternidade.

A Eternidade fica bem ali, na esquina da Cardeal com a Henrique Schaumann. De lá, só ouço o silêncio.
Foi lá que, há muito tempo, Maria escreveu:

A Eternidade fica bem ali, na esquina da Cardeal com a Henrique Schaumann. De lá, só ouço o silêncio.
Foi lá que, há muito tempo, Maria escreveu:
“O nino, meu esposo,
meu guia e motivo eterno
de minha saudade e de meu pranto”
meu guia e motivo eterno
de minha saudade e de meu pranto”
Em mim, a passagem do gesto. Um samba, dois pra lá, dois pra cá - e o espaço entre nós, um movimento simples - minha mão levada ao teu peito e, em seguida, ao teu pescoço, dizia: te quero mais perto.
O dia de Maria chegou e alguém escreveu:
O dia de Maria chegou e alguém escreveu:
“Aqui, repousa Maria ao lado de seu amado esposo...”
O tempo foi contínuo em Maria, feito a representação de um homem que busca incessantemente o beijo de sua amada. O Amor ali, no Silêncio, Concretizado, desafia o sol, a chuva, o vento e a corrosão...
No meu instante, a beleza é um lance, feito minha mão sobre teu pescoço - uma borboleta com dias contados...
Neste momento, Maria, Nino e o Amor estão em algum lugar, que só a Eternidade pode nos contar...